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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
As duas fintechs foram as primeiras companhias do país a abrir capital nos Estados Unidos desde 2021. Dois meses depois, valem menos da metade do preço da oferta e negociam com desconto em relação a Nubank e Inter.

O ano começou com uma notícia aguardada pelo ecossistema de tecnologia: depois de quatro anos sem ofertas iniciais de ações de empresas brasileiras nos Estados Unidos, duas fintechs voltaram a abrir capital em Nova York. Pouco mais de dois meses depois, o balanço é amargo para quem comprou na estreia. Segundo levantamento do Finsiders Brasil publicado nesta segunda-feira (30), as ações do PicPay acumulam queda de 46% desde o IPO e as do Agibank, de 42%. As duas valem hoje cerca de US$ 970 milhões cada na bolsa.
O PicPay estreou na Nasdaq em 29 de janeiro, com o código PICS. Segundo as demonstrações financeiras da holding PicS N.V., arquivadas na SEC, a empresa vendeu 22.857.143 ações classe A a US$ 19 cada, no topo da faixa indicativa, com captação bruta de US$ 434,3 milhões e líquida de US$ 403,9 milhões. A operação foi coordenada por Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets. Na estreia, a companhia era avaliada em cerca de US$ 2,1 bilhões.
Abre uma porta
Em seguida veio o Agibank, banco digital de Campinas (SP) fundado em 1999 e controlado por Marciano Testa, focado em crédito consignado. Às vésperas da precificação, o Agibank cortou a oferta de 43,6 milhões para 20 milhões de ações e reduziu a faixa de preço de US$ 15 a US$ 18 para US$ 12 a US$ 13, segundo a Renaissance Capital, em meio à queda do PicPay depois da estreia. A ação saiu a US$ 12, a captação ficou em US$ 240 milhões e o papel começou a ser negociado na NYSE em 11 de fevereiro, abrindo a US$ 11. Segundo a Bloomberg Línea, foi o primeiro IPO de uma empresa brasileira naquela bolsa desde o Nubank, em dezembro de 2021.
Os números do Finsiders mostram que o mercado está precificando as recém-chegadas abaixo das fintechs já listadas. O PicPay negocia a cerca de 6,5 vezes o lucro anualizado do quarto trimestre de 2025, e o Agibank, a 5,5 vezes. O Nubank é negociado a 19 vezes e o Inter, a 12 vezes. No mesmo período, os grandes bancos tradicionais subiram: em dólares, Itaú acumula alta de 10% no ano e Bradesco, de 6%.
Não é falta de resultado. O Agibank lucrou R$ 1,1 bilhão nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, com retorno sobre o patrimônio de 40,9% e cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, segundo a Bloomberg Línea. Em entrevista à Forbes Brasil após a estreia, o próprio CEO do PicPay observou que crescimento de receita, avanço do lucro e escala operacional se tornaram exigências para que fintechs sejam bem avaliadas no mercado atual.
Para startups que planejam um dia abrir capital, os dois casos mostram que a janela de Nova York voltou a existir, mas não para qualquer história. As duas empresas chegaram à bolsa lucrativas e com escala, e mesmo assim tiveram de aceitar preço menor ou enfrentar forte correção logo depois. Na prática, isso reforça a tendência que já vinha do mercado de venture capital: rentabilidade e disciplina de capital pesam mais do que crescimento a qualquer custo, inclusive na saída.
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