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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
Relatórios do Distrito e da Sling Hub usam métodos diferentes, mas apontam a mesma direção: investidores mais seletivos e um mercado de fusões e aquisições aquecido.

O ano de 2025 começou em ritmo cauteloso para o venture capital na América Latina. Dois levantamentos divulgados em abril sobre o primeiro trimestre, um do Distrito e outro da plataforma de dados Sling Hub, mostram menos rodadas de investimento em startups, mas tíquetes médios maiores e um movimento intenso de fusões e aquisições.
Segundo o relatório Inside VC, do Distrito, obtido pelo NeoFeed, as startups latino-americanas captaram cerca de US$ 767,4 milhões em 125 rodadas entre janeiro e março. Em relação ao mesmo período de 2024, o volume caiu 6,7% e o número de rodadas, 34,2%.
O Brasil respondeu por 65% das rodadas e por cerca de 48,4% do dinheiro investido na região, com resultado misto: o número de rodadas caiu 27,7%, para 81, enquanto o volume aportado subiu 5%, para US$ 371,7 milhões. A maior operação brasileira do trimestre foi a série A de US$ 40 milhões da Music.AI, dona do aplicativo Moises. Na região, o destaque foi a fintech mexicana Plata, com US$ 160 milhões.
Os cheques ficaram maiores. A média dos aportes em estágio inicial na região foi 16,3% superior à do primeiro trimestre de 2024; nas séries A e B, as altas foram de 41,6% e 5%. Segundo Victor Harano, gerente de research do Distrito, as startups que atravessaram o período mais duro de financiamento chegaram com indicadores de unit economics mais sólidos e, por isso, conseguem emplacar rodadas maiores quando saem para captar.
Vemos os investidores esperando um pouco neste momento inicial, em que existe ruído maior, para entender qual o cenário de 2025 e aí sim voltar a alocar capital de forma mais robusta.
Se a captação esfriou, as aquisições aceleraram. O Distrito contou 58 operações de fusões e aquisições na América Latina no trimestre, alta de 35%, e 53 no Brasil, também 35% a mais. Na avaliação de Harano, startups com dificuldade de captar ou com modelos muito intensivos em capital tendem a virar alvo, e quem deve liderar a consolidação são as próprias startups que receberam megarrodadas, acima de US$ 100 milhões. Ele estima que a janela de IPOs ainda deve levar de dois a três anos para reabrir.
O total da Sling Hub é maior, em parte, porque inclui, além do capital de participação (equity), operações de financiamento baseadas em recebíveis. Pelo levantamento, divulgado pelo portal Startups, a América Latina teve 147 rodadas que somaram cerca de US$ 1,15 bilhão no trimestre, queda de 67% em relação ao último trimestre de 2024 e de 37% na comparação anual.
Desse total, US$ 748 milhões vieram de equity, em 133 rodadas, com 38% direcionados ao México e 31% ao Brasil. Outros US$ 271 milhões vieram de financiamento com recebíveis. O valor mediano das rodadas na região subiu 13%, para US$ 1,5 milhão; no Brasil, a mediana foi de US$ 2,1 milhões. Fintechs concentraram 52% do equity, e startups de inteligência artificial captaram US$ 156 milhões em 45 rodadas.
Para quem pretende captar em 2025, os dois retratos sugerem o mesmo recado: o investidor está disposto a assinar cheques maiores, mas para menos empresas, e privilegia negócios com unit economics sólidos. Para startups que não conseguem chegar a esse patamar, a venda para um concorrente mais capitalizado passou a ser um desfecho cada vez mais frequente.
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