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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
Maior aquisição da história do Google foi aprovada sem condições por autoridades de sete jurisdições; a Wiz mantém a marca e segue protegendo clientes em nuvens concorrentes.

O Google anunciou nesta quarta-feira (11) a conclusão da compra da Wiz, plataforma de segurança para nuvem e inteligência artificial sediada em Nova York. O negócio, de US$ 32 bilhões pagos em dinheiro, havia sido anunciado em março de 2025 e é a maior aquisição já feita pela empresa. Com o fechamento, a Wiz passa a integrar o Google Cloud, mas mantém a própria marca.
O desfecho encerra um processo de cerca de 12 meses de revisão concorrencial. Segundo o escritório Cleary Gottlieb, que atuou como principal assessor antitruste do Google na operação, a transação foi aprovada sem condições pelas autoridades dos Estados Unidos, da Comissão Europeia, da Austrália, de Israel, da Arábia Saudita, da África do Sul e da Turquia. A aprovação europeia, sem restrições, saiu em fevereiro.
Um dos pontos mais observados pelo mercado era se a Wiz continuaria atendendo clientes que usam nuvens concorrentes. O comunicado do Google responde que sim: os produtos da startup seguirão disponíveis para ambientes na Amazon Web Services, no Microsoft Azure, na Oracle Cloud e no próprio Google Cloud, vendidos também por parceiros e pelo Google Cloud Marketplace.
Em nota, o cofundador e CEO da Wiz, Assaf Rappaport, afirmou que entrar no Google Cloud permite escalar a missão de proteger os clientes onde quer que operem e que a empresa segue comprometida com uma abordagem aberta, com suporte a todos os principais ambientes de nuvem e de código. Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, disse que a intenção é fazer da segurança um catalisador da inovação, e não uma barreira, com uma plataforma unificada para proteger ambientes multinuvem na era da IA.
Sundar Pichai, CEO do Google, associou a compra ao avanço da migração para a nuvem: segundo ele, proteger as pessoas na internet ganha importância à medida que empresas e governos levam seu trabalho para a nuvem e passam a usar IA generativa em larga escala.
A trajetória da Wiz é uma das mais rápidas já vistas no software: em seis anos, a empresa saiu da fundação para uma venda de US$ 32 bilhões, a maior saída da história do setor de tecnologia de Israel, de onde vêm os fundadores. Antes da Wiz, o quarteto havia criado a Adallom, comprada pela Microsoft por cerca de US$ 340 milhões, e depois liderado a operação de cibersegurança da Microsoft em Israel. A Wiz tinha cerca de 1.800 funcionários no fechamento, aproximadamente mil deles em Israel.
Para quem empreende, o caso traz pelo menos três lições. A primeira é que resolver um problema que atravessa fornecedores, como a segurança de empresas que usam várias nuvens ao mesmo tempo, pode tornar o produto valioso justamente para quem quer competir nesse mercado. A segunda é que neutralidade vira ativo de negociação: manter o atendimento a nuvens rivais foi parte central da promessa pública feita no fechamento. A terceira diz respeito ao tempo. Mesmo sem condições impostas, grandes aquisições podem passar um ano inteiro em análise, e fundadores e investidores precisam planejar caixa, retenção de equipe e relacionamento com clientes para esse intervalo.
O movimento também sinaliza a disputa entre os grandes provedores de nuvem. Com a Wiz, o Google reforça sua divisão de nuvem na concorrência com Amazon Web Services e Microsoft Azure, apostando que segurança integrada será argumento decisivo na escolha de fornecedores por empresas que estão adotando IA. Para startups brasileiras que vendem para grandes contas, a mensagem é que segurança deixou de ser item de rodapé em propostas comerciais e passou a pesar na decisão de compra.
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