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Informação para o próximo passoquarta-feira, 7 de outubro de 2026
Ferramenta de cobrança recorrente do Banco Central registrou 2,87 milhões de transações em maio. Para quem vende assinaturas e mensalidades, é uma alternativa ao boleto e ao débito automático que ainda esbarra em hábitos do consumidor.

O Pix Automático, modalidade criada pelo Banco Central para cobranças recorrentes, completou um ano de operação nesta semana com números que mostram crescimento, mas ainda distantes do peso do Pix tradicional. Em maio de 2026, foram 2,87 milhões de transações e mais de R$ 1,2 bilhão movimentados, o maior volume mensal desde a estreia, em 16 de junho de 2025. De janeiro a maio, a ferramenta somou mais de R$ 4,5 bilhões.
O avanço no ano é expressivo: em janeiro, haviam sido 919 mil transações e R$ 568,7 milhões. Ainda assim, analistas avaliam que a modalidade não 'pegou' no ritmo esperado, sobretudo entre consumidores pessoas físicas.
No Pix Automático, o cliente autoriza a cobrança uma única vez e define regras, como um valor máximo por pagamento. A partir daí, a empresa envia cada cobrança ao banco do pagador, que agenda o débito e avisa o cliente para conferir o valor. O consumidor pode cancelar a autorização a qualquer momento, e o serviço é gratuito para pessoas físicas.
Para as empresas, a principal vantagem apontada pelo Banco Central é o custo de cobrança. Diferentemente do débito automático, que exige convênios bilaterais com cada banco, o Pix Automático usa a infraestrutura já existente do Pix e permite concentrar os recebimentos numa única instituição. O BC também espera redução da inadimplência, já que os pagamentos ficam agendados.
Levantamento do Finsiders Brasil aponta barreiras técnicas e comportamentais. Do lado técnico, o pagamento depende de saldo em conta, enquanto o débito automático tradicional pode usar o cheque especial. Do lado do consumidor, é preciso trocar um hábito consolidado, confiar numa autorização recorrente e enxergar alguma vantagem econômica na mudança.
Pix Automático não compete apenas com outro meio de pagamento, mas com hábitos já estabelecidos
Os dados mostram ainda uma concentração relevante: as operações entre empresas responderam por menos de 5% das transações, mas por quase 90% do volume financeiro. Ou seja, o uso por consumidores existe, porém com tíquetes baixos.
Há, por outro lado, um público que o sistema financeiro tradicional não alcança. No lançamento, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que 60 milhões de pessoas sem cartão de crédito poderiam passar a acessar serviços por assinatura com a nova modalidade. O dado da Ebanx, de que 64% dos pagadores são estreantes em serviços recorrentes, vai nessa direção.
Outra novidade esperada pelo varejo não saiu como planejado. Depois de adiar a padronização do Pix Parcelado de setembro para outubro e depois para novembro de 2025, a diretoria do Banco Central desistiu, em 4 de dezembro, de criar regras específicas para o produto. O BC proibiu o uso do nome 'Pix Parcelado', mas permitiu expressões como 'Pix no crédito' e 'Parcele no Pix'. Na prática, cada banco segue definindo prazos, juros e apresentação dessas linhas de crédito. O Idec classificou a decisão como inaceitável, por deixar o consumidor exposto a produtos heterogêneos e sem transparência mínima.
Para quem vende, a diferença é importante: no parcelamento via Pix, o lojista recebe o valor à vista e o custo do crédito fica com o comprador e o banco dele. Já o Pix Automático é uma ferramenta de gestão de receita recorrente, útil para negócios de assinatura, clubes, escolas, academias e prestadores de serviço mensal que hoje dependem de boleto, cartão ou cobrança manual.
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